O que a gente aprende! Muitos evitam postar opiniões para não correr o risco de serem questionados, porque se isso acontecer, ou você tem argumento sólido para apresentar ou é melhor se virar para encontrar. O "acho porque acho" tem cada vez menos espaço nesse ambiente. Isso acaba levando o usuário a pesquisar para embasar a opinião, o que pode inclusive destruir antigas e arraigadas convicções.
Quem se leva muito a sério não tem resistência emocional para sobreviver nesse meio, o que em minha opinião é outro ponto a favor. Ou você desenvolve alguma dose de humildade e dose cavalar de auto-estima, ou acaba encerrando a conta. Eu aprendi a apanhar. Apanho tanto que dia desses um dos meus amigos adolescentes entrou no meio de uma discussão política barra-pesada só pra me defender. Achei lindo. Ele imaginou que eu estivesse mortificada, mas não estava. Aprendi que por ali tem gente de todo jeito. Alguns usam a agressividade para não se explicar, outros por medo de mudar de ideia, medo de descobrir que há algum fundo de razão que poderia abalar sua crença... E há os que agridem porque te acham idiota mesmo. Ok, já posso sobreviver a isso sem sequelas. Afinal, já que tenho o direito de achar que alguns são pouco dotados de genialidade, devo conceder o direito de pensarem o mesmo de mim. Simples assim.
Foi no Face que minha amizade com um gigante na minha área,
um jornalista que sempre admirei, se tornou mais sólida. Hoje, até aconselhamento
sobre educação de filhos peço a ele, um conselheiro e tanto. Esse gigante em tudo fez de mim uma eterna
devedora do Facebook. Também conheci um escritor carioca, descendente de alemães, mestre na arte de filosofar e em outra mais rara, a arte de viver
só. Sabia extrair prazer disso como ninguém, fornecedor de receitas exóticas
tipo sopa de batata baroa com beterraba... Cozinhava tomando vinho e ouvindo
boa música, era um solitário sem solidão. Lindo isso. E não é que recentemente ele encontrou uma garota?! Agora é mestre
na arte de viver uma relação a dois com grande sensibilidade. Lindo isso também. E tem um músico de Volta Redonda que escreve muito, saca mais do que eu
sobre todos os assuntos do mundo, verdadeiro mestre, uma fonte de
conhecimento grátis; uma carioca que me mata de rir com suas tiradas
bem-humoradas sobre os conflitos da mulher solteira em tempos modernos; uma universitária
mineira que questiona tudo e resgatou minha fé na humanidade; e até uma garota
esperta de 12 anos que disse que lia meus posts mesmo sem entender nada, e pude
dizer a ela que gosto de política porque é a via de solução até para o
envenenamento de gatinhos, já que ela andava em campanha contra pessoas que
matam bichinhos em série em sua cidade. Só dela já haviam envenenado dois. Como
eu poderia conhecer um aspirante a artista que mora numa cidade chamada Itapipoca, na Bahia? Ele
me envia blinks e links do Youtube com seus covers. Talvez eu esteja tendo o privilégio de ouvir os primeiros
ensaios e um grande astro POP, já pensou?
O melhor é que você tem essa infinidade de universos numa única tela, tudo junto e misturado. Família, amigos, a sabedoria dos
mais vividos lado a lado com a inquietação dos jovens... Vejo meu presente,
passado e futuro provável em muita gente e muitas vezes todos os dias. Um
verdadeiro arsenal de ideias, visões e ideologias a um click.
Ok, nem tudo são flores no Face. Também tem poesia, tem postagens
filosóficas e até consultoria a custo zero quando se conhece as pessoas certas.
Tem também oportunidades de negócios. Muitas vezes intermedio a venda de
imóveis caríssimos negociando os termos in box, pelo Face. E o supervisor de uma indústria para qual trabalho deixou de ser fiscal, virou parceiro de questionamentos sociais. Todos os dias falo
com um monte de clientes que se tornam amigos, e com alguns amigos que se
tornam clientes.
Um dos meus antigos preconceitos em relação ao Face ainda não
tem resposta. Observo que uma boa maioria só lê postagens que venham com
imagens. Será que vamos voltar ao tempo onde reclamar de um livro sem figuras
não seja propriamente um atestado de maturidade intelectual? Por outro lado, vejo
frases de autores interessantes pipocando o tempo todo por lá. Quem sabe os
fragmentos não acabem despertando o interesse pelas obras completas?
E o Face exige poder de síntese. Escreva textos longos e ninguém vai te dar a menor bola. Isso não aprendi. É um dom que eu definitivamente não possuo e nem o Face foi capaz de me ensinar. E essa acaba sendo a razão de
ser deste blog.
O post que inspirou sua criação é simplesmente fantástico, uma simples imagem que remete a problemas profundos da educação brasileira. Isso sim é um post genial:
O post que inspirou sua criação é simplesmente fantástico, uma simples imagem que remete a problemas profundos da educação brasileira. Isso sim é um post genial:
Provavelmente este blog se transforme numa espécie de diário
moderno, um guardião das minhas ideias. O importante é que depois de 3 anos
longe de uma redação, dois anos e meio depois de encerrar meu último livro,
sinto novamente vontade de escrever e ponho em prática um meio que ordena esse
exercício.
Venhamos e convenhamos, já é um começo.

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